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Como se tornar um piloto nos EUA?

Quando um cidadão brasileiro tem a intenção de estudar em uma escola de aviação americana e se formar como piloto comercial nos EUA, seguindo as regras da FAA (Federal Aviation Administration), o primeiro passo é obter o visto de entrada no país. A infraestrutura aeronáutica dos Estados Unidos não se compara a de nenhum outro país do mundo. Por isso milhares de alunos de diversos lugares do mundo escolhem os EUA para se formarem como piloto todos os anos.

Visto para estudantes internacionais

Existem dois tipos de vistos americanos permitidos para alunos internacionais estudarem aviação nos EUA: o M-1 e o F-1. De acordo com o Departamento de Segurança Interna dos Estados Unidos todos os alunos internacionais devem realizar o treinamento de voo em uma escola de aviação da Federal Aviation Administration (FAA) que seja autorizada sob a Regulamentação da Aviação Federal (FAR) Part 141. Por isso é extremamente importante que o estudante tenha a certeza de que a escola escolhida nos EUA seja aprovada pela FAR Part 141.

Visto F-1

A escola escolhida deve estar apta a emitir o formulário I-20 para o visto F-1 dos estudantes que desejam se formar como pilotos profissionais nos EUA. Esse tipo de visto tem validade de um ano e pode ser estendido caso o curso precise de tempo adicional. Após a conclusão de um curso completo de aviação profissional (PP, IFR, PC, MULTI, INVA, INVA-IFR e INVA-MULTI) o tipo de visto F-1 permite que o estudante trabalhe legalmente como instrutor de voo por até dois anos, com a finalidade de construir horas adicionais (isso mediante aprovação do DHS para a autorização de trabalho).

Isso pode facilitar o processo de candidatura do piloto para um emprego em companhias aéreas já que permite o acúmulo de mais de mil horas de voo. Para os estudantes que já são PC/ANAC ou PC/FAA ou PLA/ANAC será preciso converter para PC/IFR/FAA e então completar os cursos de CFI/CFII/MEI no prazo de sete meses, podendo trabalhar por até dois anos após isso.

Para saber mais sobre o Visto F1 clique aqui. 

Visto M-1

O Visto M-1 da a permissão para que os estudantes realizem seu treinamento de voo por 12 meses, podendo também se estender caso seja necessário para concluir o curso. Esse tipo de visto permite que o aluno apenas estude, sendo obrigado a retornar para o Brasil quando finalizar o curso. Não há permissão para trabalhar como instrutor de voo e é ideal para os estudantes que desejam fazer somente o curso de PP, de MULTI ou só o IFR.

FAA – Federal Aviation Administration

A FAA é a agência responsável pela aviação nos Estados Unidos, é considerada a maior, melhor e mais segura agência de aviação civil do mundo. O número de pilotos nos EUA é quase 20 vezes maior do que a do Brasil e número de aeronaves é 11 vezes maior. Todo piloto que obtiver a licença FAA consegue validá-la em qualquer lugar do mundo. Atualmente centenas de pilotos brasileiros já se formaram totalmente na FAA ou foram para os EUA com a licença de Piloto Privado e conseguiram a carteira de Piloto Comercial, Multimotor e Voo por Instrumento.

Part 141 x Part 61 – O que significa?

Ao escolher uma escola de aviação os alunos podem decidir entre dois tipos de escolas de treinamento de voo, uma part 61 ou uma part 141. Embora ambos os tipos de instrução de voo sejam legítimos para treinamentos de pilotos, há mais vantagens em optar por uma escola que siga o método de treinamento part 141. O termo “Part” se refere a uma parte do Regulamento Federal de Aviação, ou FARs, que formam as condições para pilotos, escolas de voo, requisitos de manutenção e outros assuntos da área da aviação.

O termo que trata dos regulamentos para certificação de pilotos é a Part 61, que apresenta os temas que são abordados durante o treinamento de voo e quantas horas de voo são necessárias para conseguir certificados específicos de voo. Já a Part 141 apresenta as regras para as instituições de treinamento de voo e escolas de voo. Segundo cita a Part 141, uma escola de aviação deve procurar e manter a aprovação da FAA em seus treinamentos, planejamento de estudos e aulas, formando um trabalho bem estruturado.

A Part 61 é menos rigorosa, dando mais autonomia para o instrutor alterar o programa de treinamento da maneira que preferir. Os dois programas ensinam os mesmos padrões de teste prático da FAA. A Part 141 tem o mínimo de horas exigidas menor do que a Part 61. O aluno que tiver a licença de piloto comercial sob a Part 141 deve ter o total de no mínimo 190 horas, enquanto o sob a Part 61 deve ter o mínimo de 250 horas.

Principais escolas de aviação dos EUA que fornecem o I-20

Vale lembrar que nem toda escola de aviação americana é autorizada a receber alunos estrangeiros. Nos EUA existem muitas regras para aceitar alunos de outros países, mesmo que eles morem legalmente no país. A escola escolhida precisa ter uma autorização especifica do Governo americano e são poucas as escolas de aviação que possuem determinada qualificação.

Somente oito faculdades, universidades e algumas academias de treinamento de voo são autorizadas pelo Departamento de Segurança Interna dos EUA a fornecer o formulário I-20 para o visto F-1 e M-1. Vejas as principais escolas de aviação americana que estão aptas a receber alunos estrangeiros:

Phoenix East Aviation
Endereço: 561 Pearl Harbor Dr, Daytona Beach, Flórida, 32114

Hillsboro Aero Academy
Endereço: 3565 NE Cornell Rd, Hillsboro, Oregon, 97124

San Diego Flight Training International
Endereço: 8745 Aero Dr, Ste 103, San Diego, Califórnia, 92123

Sou piloto no Brasil, posso voar nos Estados Unidos?

Sim, é possível um piloto brasileiro voar legalmente e de forma permanente nos EUA, porém as exigências são bem altas. Veja alguns dos requisitos:

  • Ter 1.500 horas de voo documentadas;
  • Ter proficiência em inglês ICAO 4 ou superior;
  • Ter licença ATP FAA (aceitam pilotos que tenham uma licença PLA ANAC, mas o piloto precisará converter a licença antes de dar entrada ao processo);

O processo para um piloto brasileiro conseguir voar nos Estados Unidos é bem burocrático, porém essa é uma ótima oportunidade para os que têm esse desejo. Já que o mercado de aviação americana tem um déficit estimado de 15 mil pilotos. As companhias aéreas simplesmente não encontram pilotos suficientes para suprir a demanda do setor no país.

Existem muitas oportunidades em diversas regiões dos EUA para pilotos brasileiros qualificados, que comprovem suas habilidades profissionais e tenham uma formação acadêmica diferenciada, além de estarem aptos a receber o visto americano de entrada no país.

De acordo com informações divulgadas no ano passado pela Boeing, estima-se que nos próximos 20 anos as companhias aéreas precisarão contratar aproximadamente 212 mil pilotos comerciais na América do Norte e 592 mil a mais no resto do mundo.

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